

O Governo Federal lançou o programa Brasil Contra o Crime Organizado, uma ofensiva nacional voltada ao enfrentamento de facções criminosas, milícias, grupos paramilitares e estruturas financeiras ligadas à criminalidade. A iniciativa foi anunciada no Palácio do Planalto e prevê R$ 11,1 bilhões em investimentos para ampliar ações de inteligência, investigação, integração entre forças de segurança e fortalecimento do sistema prisional.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o programa tem como foco a desarticulação financeira e operacional das organizações criminosas. A proposta é atingir não apenas a atuação armada nas ruas, mas também os fluxos de dinheiro, a lavagem de recursos, o tráfico de armas e a capacidade de comando das facções a partir de presídios.
O plano foi estruturado em quatro eixos centrais: asfixia financeira do crime organizado, fortalecimento da segurança no sistema prisional, qualificação da investigação e do esclarecimento de homicídios, e combate ao tráfico de armas. Esses pontos foram apresentados como pilares para uma atuação mais coordenada entre União, estados e municípios.
Do total previsto, cerca de R$ 1,06 bilhão será aplicado diretamente em 2026. Outros R$ 10 bilhões serão disponibilizados por meio de uma linha de crédito do BNDES, voltada para ampliar a capacidade de investimento de estados e municípios na área de segurança pública.
Entre os equipamentos que poderão ser adquiridos estão viaturas, motocicletas operacionais, drones, sistemas de radiocomunicação, câmeras corporais, tecnologias de videomonitoramento, scanners corporais, bloqueadores de sinal, equipamentos de perícia, sistemas de informática e soluções tecnológicas para segurança pública.
No eixo prisional, o objetivo é ampliar o controle sobre unidades estratégicas e interromper a comunicação de lideranças criminosas com integrantes fora dos presídios. O programa prevê a implantação de padrão de segurança máxima em 138 presídios estaduais, além da criação do Centro Nacional de Inteligência Penal, o CNIP.
Outra frente será a investigação de homicídios. O governo pretende fortalecer polícias científicas, institutos médico-legais, bancos de perfis genéticos e sistemas de análise balística. A ideia é melhorar a capacidade do Estado de esclarecer crimes violentos e identificar autores com mais rapidez e precisão.
O combate ao tráfico de armas também aparece como uma das prioridades do plano. A estratégia inclui rastreabilidade, identificação de origem, análise de fluxos ilegais e operações integradas contra armas, munições, acessórios e explosivos usados por organizações criminosas.
De acordo com o governo, a adesão dos estados será necessária para acesso aos recursos e implementação das medidas. A proposta busca integrar diferentes órgãos de segurança e inteligência, com participação de forças federais, estaduais e municipais.
A iniciativa surge em um momento em que a segurança pública ocupa posição central no debate nacional. O Governo Federal afirma que o programa pretende enfraquecer as bases econômicas das facções, reduzir a violência e ampliar a presença coordenada do Estado no combate ao crime organizado.
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